Relato da Maria Beatriz* de Pernambuco

Com a pandemia acabamos de encontro a uma dualidade: ou temos tempo de sobra para pensar (logo vem o tédio) ou não temos tempo algum (acabamos sobrecarregadas). O cuidado com a saúde parece se flutuar entre momentos em que a devida atenção é dada e momentos em que é deixada de lado, quase como esquecida. Em relação a saúde sexual, durante a pandemia iniciei um relacionamento lésbico e desde então me encontro deparada com questões que pensei que apenas encontraria em relacionamentos héteros (sou bissexual). Durante um tempo, me vi “forçada” – por mim mesma, vale ressaltar – a ter relações sexuais mesmo sem ter vontade, por ver minha parceira com pouca frequência durante a semana e com medo que ela perdesse o interesse caso eu dissesse não. Já que nos víamos apenas um dia nos fins de semana, acabei acreditando que o único modo de mantê-la comigo seria mantendo essa frequência de relações. Consegui, depois de um tempo e depois de processar como aquilo estava me fazendo mal, posicionar a minha vontade (ou falta de, rs) e fui tranquilamente aceita. Parece até que, por sentir que é uma escolha livre, a minha libido aumentou. Até parece irônico, haha. Bem, essa é minha experiência. Espero que eu tenha contribuído de alguma forma (:

[*Os nomes são inventados.]

Dados gerais da autora do relato:

#PE #23anos #Branca #NaoTemReligiao #EnsinoSuperiorIncompleto

#JuntasNaPandemia

Publicado por Grupo RepGen

Grupo de Pesquisa Gênero, Reprodução e Justiça - RepGen. Reúne pesquisadoras da UFBA, Fiocruz e UFRJ.

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