Relato da Ágatha* de Minas Gerais

Me chamo Ágatha, sou divorciada e tenho 2 filhos – 1 adolescente e outro criança. No início da pandemia me senti muito sozinha e tive medo do que viria pela frente, sozinha com duas crianças para cuidar. Tendo que trabalhar, cuidar da casa, de mim e deles. Dois dias após o início da pandemia perdi uma grande amiga de câncer, a dor de não poder despedir dela foi grande demais. Veio o Dia das Mães e a ausência da minha mãe foi mais forte que eu. Caí numa cama sem conseguir levantar, meu ex- marido falou agora é você e eles, tem uma pandemia não posso ir até aí te ajudar. Se vira, levanta e cuide dos seus filhos, que naquele momento descobri que já não eram tão importantes pra ele assim como a minha saúde mental. Fiquei de pé novamente graças a uma medicação passada pelo meu ginecologista. Tenho mioma, adenomiose, cistos no ovário e venho acompanhando essa situação desde o fim do meu casamento. Sequelas de uma separação difícil e de um casamento que deixou marcas profundas em meu corpo. Tive um nódulo no seio mas que foi diagnosticado como cisto de pele, tive problemas de coluna, queda de cabelo e labirintite e tenho sobrevivido. Nesta época tinha um relacionamento com um homem viúvo mas que nunca quis me assumir, eventualmente a gente se encontrava e transava. Tive um relacionamento com um homem casado que foi bem marcante mas também não evoluiu por motivos óbvios e durante algum tempo me aventurei em sites de relacionamento. Recentemente engatei uma relação com um colega de trabalho também casado mas tenho saído fora porque não é o tipo de relação que venho buscando. Tenho muito desejo sexual e sinto falta de sexo, isso por vezes me atrapalha. Uso vibradores e isso me satisfaz em parte, mas preciso do toque do parceiro para ter prazer pleno. Minha energia sexual vibra alto e tenho tentado dominá-la, mas confesso que não tem sido fácil. Saí dos aplicativos de relacionamento e tenho tentado conhecer pessoas na vida real, no dia-a-dia. Pensei até em me aventurar pelo mundo homossexual mas não é por aí que passa meu desejo. Enfim, atualmente venho conhecendo um homem da minha idade, que tem sido uma aprendizagem, afinal ele foca muito na amizade. Talvez seja essa a receita de um relacionamento feliz. Estou me descobrindo e me permitindo viver o prazer plenamente, sem tabus, sem neuras e se for preciso tomar a iniciativa eu tomo. Acredito que estamos saindo da pandemia, saio como quem deixa uma travessia em um rio caudaloso de água em correnteza profunda e muitos perigos, já consigo ver a outra margem e já é possível colocar os pés no chão. A travessia está no final, eu não saio a mesma do outro lado e tampouco vou encontrar o mesmo mundo.

[*Os nomes são inventados.]

Dados gerais da autora do relato:

#MG #46anos #Parda #Catolica #PosGraduaçao

Publicado por Grupo RepGen

Grupo de Pesquisa Gênero, Reprodução e Justiça - RepGen. Reúne pesquisadoras da UFBA, Fiocruz e UFRJ.

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