Relato da Dacris* de São Paulo

Olá meninas, a pandemia está acabando!! Se Deus quiser e permitir!!

Sou empregada de uma empresa aérea, uma das áreas mais afetadas da pandemia, afinal foram fechados aeroportos, hotéis e todo mundo precisou remarcar ou cancelar voos e viagens. Agora vamos ao que importa, minha saúde!! A mental quase deixou de existir durante esse CAOS, pois eu trabalho em um setor onde sou responsável por mais de 3000 colaboradores, a grande maioria deles de licença não remunerada e os que permaneceram, ganhando muito menos do que o de costume, o que afeta psicologicamente pois dinheiro está diretamente ligado ao bem estar humano. Lidei com pessoas com humor bastante alterado, que assim como eu, estavam saindo de casa para trabalhar e levando o risco do COVID-19 para dentro de casa, muitos com a dor de ter perdido alguém e sentirem-se culpados, pois acabaram levando para casa a doença que os deixou órfãos , viúvos e até mesmo matou seus filhos. Lidar com toda essa dor, me fez sentir a dor do outro de perto e a empatia em mim, nunca foi tão aflorada, doeu sim, mas hoje a dor é muito menor. Quanto a saúde física, posso dizer que sou meu orgulho!! Resolvi me cuidar um pouco mais, ter uma alimentação mais saudável, fazer exercícios e adivinhem: 20kg a menos na balança. Sim, eu emagreci na pandemia e foi com saúde. Em consequência deste emagrecimento, confesso que minha vida sexual deu uma guinada, meu marido ficou mais “empolgado” e por isso tivemos a vida sexual mais ativa, o que foi bem legal. Foram quase 2 anos de pandemia, apenas atendimentos médicos remotos para não urgências e por isso acabei deixando de lado as consultas periódicas ao ginecologista e exames que precisam ser realizados. Como sou casada, tenho apenas um parceiro sexual e confio quase 100% ser sua única parceira, fiquei relativamente mais tranquila, uma vez que não tive problemas relacionados à parte sexual, porém agora com a retomada, já estou procurando voltar a procurar médicos, tentar marcar consultas e seguir minha vida normalmente. 

Não há nada de diferente, espectacular, triste ou animador demais em minha história. Eu só gostaria de deixar aqui a mensagem de que dá para ser “normal” em um período pandêmico, desde que haja plena consciência de que somos seres humanos e precisamos nos cuidar e ser cuidadas.

[*Os nomes são inventados.]

Dados gerais da autora do relato:

#SP #36anos #Branca #Catolica #EnsinoSuperiorCompleto

#JuntasNaPandemia

Publicado por Grupo RepGen

Grupo de Pesquisa Gênero, Reprodução e Justiça - RepGen. Reúne pesquisadoras da UFBA, Fiocruz e UFRJ.

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