Relato da Letícia* de Minas Gerais

Assim que começou a pandemia, em abril de 2020, descobri que estava grávida. Fiquei muito feliz, mas ao mesmo tempo muito receosa do que estava por vir, uma vez que sabia que ia ter que enfrentar laboratórios, clínicas e hospitais em plena pandemia. Um porém, é que já tinha uma bebezinha que ainda nem tinha um ano de vida e a rotina do cuidado ainda era bastante pesada. Bem, a gravidez do segundo filho foi mais ou menos, logo no primeiro ultrassom, deu alteração nos batimentos cardíacos de bebê, isso me deixou bastante aflita. Mas a ginecologista/obstetra, logo me acalmou dizendo que devia ter sido uma alteração no exame nada tão grave. Outro porém, foram os ultrassons sem a presença do pai, porque a clínica não permitia a presença do pai na sala (isso me gerou um trauma que levarei para o resto da vida). Bem, os meses se passaram. Não tive nenhuma intercorrência durante a segunda gravidez. No entanto, no último trimestre, tive infecção vaginal, a ginecologista me passou uma pomada e 1 semana após o término do tratamento tive meu filho prematuramente, no primeiro dia da 35a semana. Estava sentada trabalhando no computador e senti um corrimento, achei que fosse xixi, fui ao banheiro e verifiquei que tinha bastante sangue saindo. Imediatamente entrei em contato com a minha médica, ela me orientou ir para um hospital que tivesse UTI-neonatal (o porém é que ela não atendia neste hospital). ok. Fui para este único hospital da região onde moro que tem UTI-Neonatal, cheguei lá era 23h. Fiquei na sala de espera antes de passar pela triagem, 1h. Depois entrei e fui atendida. No entanto, o médico que me atendeu ficou na dúvida se minha bolsa tinha estourado e me deixou em observação até as 6h da manhã do outro dia. Enfim, por volta das 4h da manhã, minha placenta deslocou bastante e tive muita cólica, mas até que a médica coordenadora do setor da maternidade viu, foi mais 1:30h. Enfim, assim que ela viu a quantidade de sangue que estava saindo de mim, me encaminhou imediatamente para a cesária de emergência. Meu filho depois de tudo isso, nasceu e teve seu apgar avaliado em 4. Ficou por 12 dias na UTI-Neonatal. Nas semanas que se seguiram levei-o no oftalmologista, neurologista, cardiologista e fisioterapia como manda o protocolo médico. Enfim, hoje com quase 1 ano de idade está tudo bem (exceto a válvula do coração que ainda não terminou de se fechar).

[*Os nomes são inventados.]

Dados gerais da autora do relato:

#MG #37anos #branca #catolica #posgraduacao

Publicado por Grupo RepGen

Grupo de Pesquisa Gênero, Reprodução e Justiça - RepGen. Reúne pesquisadoras da UFBA, Fiocruz e UFRJ.

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